terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas


Promover o reconhecimento da importância da interseção da história africana com a brasileira para transformar as relações entre os diversos grupos raciais que convivem no país. Esta é a essência do Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas, instituído pela UNESCO no Brasil, a partir da aprovação da Lei 10.639, em 2003, que preconiza o ensino dessas questões nas salas de aulas brasileiras.

Desde então, o processo de implementação da Lei da Educação das Relações Étnico-Raciais nos sistemas de ensino brasileiros vem enfrentando desafios, entre eles a necessidade de desenvolvimento de uma nova cultura escolar e de uma nova prática pedagógica que reconheça as diferenças étnico-raciais resultantes da formação da sociedade brasileira. Para contribuir com esse processo, o programa Brasil-África: Histórias Cruzadas da UNESCO atua em três eixos estratégicos, complementares e fundamentais:

1.Acompanhamento da implementação da Lei
2.Produção e disseminação de informações sobre a história da África e dos afro-brasileiros
3.Assessoramento no desenvolvimento de políticas públicas
O objetivo dessa atuação é identificar pontos críticos, avanços e desafios na implementação da Lei, bem como para cooperar para a formulação de estratégias para a concretização de políticas públicas nesse sentido, além de sistematizar, produzir e disseminar conhecimentos sobre a história e cultura da África e dos afro-brasileiros, subsidiando as mudanças propostas pela legislação.

Para a UNESCO, apoiar a implementação da lei da Educação das Relações Étnico-raciais é uma maneira de valorizar a identidade, a memória e a cultura africana no Brasil – o país que conta com a maior população originária da diáspora africana.

A partir do momento em que as origens africanas na formação da sociedade brasileira forem conhecidas e reconhecidas e as trocas entre ambos disseminadas, se abrirão importantes canais para o respeito às diferenças e para a luta contra as distintas formas de discriminação, bem como para o resgate da autoestima e a construção da identidade da população. Somados, esses canais contribuirão para o desenvolvimento do país.

Assim, o trabalho com esses tópicos nas escolas e nos sistemas de ensino proposto pela legislação nacional, em última instância, leva os alunos e a sociedade a valorizar o direito à cidadania de cada um dos povos.
Tudo isso encontra uma forte convergência com o trabalho da UNESCO, que atua em todo o mundo declarando que conhecer melhor outras civilizações e culturas permite tanto compreender a segregação e os conflitos raciais como afirmar direitos humanos.

Fonte: Representação da UNESCO no Brasil

Coleção História Geral da África em português


Foi lançada no dia 9/12 a edição em português da Coleção História Geral da África da UNESCO. A obra de oito volumes e quase dez mil páginas foi elaborada ao longo de 30 anos por 350 pesquisadores, a maior parte deles de origem africana, e já havia sido editada em sua totalidade em inglês, francês e árabe. A cerimônia de lançamento contou com a presença dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Cultura, Juca Ferreira.


De acordo com o Representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, ao se disseminar no país o conhecimento sobre a África , é possível promover uma importante mudança das relações étnico-raciais. “Existe uma preconcepção de que a história da África começa a partir da colonização e do tráfico negreiro. Mas as contribuições do continente para a humanidade são muito maiores e muito mais antigas do que o imaginado pelo senso comum. E isso precisa ser conhecido”, afirma.

O objetivo da tradução da obra é fazer com que professores e estudantes lancem um novo olhar sobre o continente africano e entendam sua contribuição para a formação da sociedade brasileira. Para Fernando Haddad, ministro da Educação, a coleção vem preencher uma lacuna na educação brasileira. “De fato, a história africana ainda não está inserida no currículo escolar, como estão as histórias da Europa e da América, não há dúvida que há um vácuo. Temos que ter consciência de como nosso povo se formou. A importância da África é crucial para nosso presente e para o futuro da nação brasileira”, afirma.

O conteúdo será base para a construção de materiais pedagógicos para uso de professores e estudantes. A iniciativa é um importante passo dentro de uma política pública de valorização da diversidade e de implementação da lei que estabelece a Educação das Relações Étnico-Raciais e o História e Cultura Afro-Brasileira e Africana

O material também será disponibilizado por representantes dos países africanos de língua portuguesa. “Vivemos um momento histórico no Brasil, que, nos últimos anos, vem se aproximando cada vez mais dos países da África, e o lançamento da coleção em português é mais uma prova disso. Não seríamos o que somos sem o continente », avalia o ministro da Cultura, Juca Ferreira.

O Ministério da Educação irá distribuir a coleção para bibliotecas públicas municipais, estaduais e distritais; bibliotecas das Instituições de Ensino Superior, dos Polos da Universidade Aberta do Brasil, dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, dos Conselhos Estaduais ou Distrital de Educação. Os oito volumes estão disponíveis para download nos sites da UNESCO  e do Ministério da Educação. (Ou clique nos links abaixo.)


8 volumes da edição completa.
Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

Vol. I - Metodologia e Pré-história da África
Vol. II - África Antiga
Vol. III - África do séc. VII-XI
Vol. IV - África do séc. XII-XVI
Vol. V - África do séc, XVI-XVIII
Vol. VI - África do séc, XIX até a década de 1880
Vol. VII - África sob dominação colonial, 1880-1935
Vol. VIII - África desde 1935

Mais informações

Guia de apresentação da Coleção História Geral da África

Fonte: Representação da UNESCO no Brasil

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Homofobia, um crime respaldado

por Marcelo Hailer



Em menos de um mês o Brasil foi palco de vários crimes homofóbicos: os garotos que foram agredidos com lâmpadas na Avenida Pauista; um que foi baleado pós Parada Gay no Rio de Janeiro; travestis e transexuais que foram baleadas e assassinadas nas ultimas três semanas e agora, pasmem, a Avenida Paulista foi palco de mais um ato covarde: dois jovens foram espancados por um grupo de skinheads, segundo descrição feita pelos rapazes.E pra completar o cardápio homofóbico brasileiro, o Vox Populi solta pesquisa onde 70% da população se declara contra a adoção para casais gays e 63% dos entrevistados se declararam contra a união civil entre homossexuais. A questão que fica é: o direito de uma minoria deve ficar a mercê de uma maioria preconceituosa? Não, claro que não. Mas, tendo em vista o clima da ultima eleição, onde, inclusive a candidata que venceu, dificilmente teremos algum avanço na questão dos direitos LGBT.A pesquisa do Vox Populi pode ser usada de duas maneiras: uma para o governo federal referendar a sua temeridade em aprovar questões homossexuais; mas, também pode ser usada de forma positiva: realmente temos que fazer algo por essa população, leia-se homossexuais, que não tem direito algum e ainda por cima é vitima cotidiana da intolerância sexista.De volta à homofobia: o pior de tudo é que os ataques contam com o respaldo religioso, político, midiático e social. Na semana passada o jornal Folha de São Paulo soltou editorial declarando-se contra o PLC 122/ 2006, que visa criminalizar a homofobia em todo território nacional, reproduzindo o argumento dos religiosos mais obscurantistas: de que se pretende dar privilégios para uma parcela da população e que se ambiciona impor a mordaça gay em padres e religiosos e na sociedade como um todo.Ora, privilégio? O que será que eles pensam ao saberem que jovens de 14 anos (Alexandre Ivo) são estrangulados, torturados e assassinados pelo simples fato de terem uma orientação sexual diversa daquela imposta pelas estruturas da sociedade? Privilégios quando se apanha pelo simples fato de estar de mãos dadas com o seu companheiro/a? É um acinte um dos principais jornais do Brasil defender em editorial que a criminalização da homofobia é um "privilégio". Bom, para um jornal que chamou a ditadura de "ditabranda", é de se esperar tal opinião.Mas, ainda bem que temos outros meios de comunicação mais sóbrios: o jornal o Estado de São Paulo, o portal UOL, o jornal carioca O Globo, a Rede Globo com os seus programas de jornalismos, pois, não podemos ignorar a cobertura que o RJTV tem feito do caso Alexandre Ivo... Enfim, estes meios tem feito uma cobertura exemplar no que diz respeito à questão da homofobia e da necessidade de o Estado tomar providencias e não apenas criminalizar, mas atuar nos âmbitos da educação, saúde e segurança pública. É fato positivo constatar que cada vez mais opiniões de respaldo a homofobia se tornam vozes no deserto.Em tempo: é de animar a postura da presidente Eleita Dilma Rousseff contrária ao apoio a ditadura aiatolá no Irã. Dilma declarou que enquanto mulher não pode apoiar um regime que apedreja mulheres e que viola os direitos humanos. Vamos torcer para que tal postura se mantenha, pois é inadmissível a posição permissiva do Brasil de apoiar um governo assassino de mulheres e homossexuais.


Fonte: Blog do Chega Mais!